Paulo Chaves / BLOG

Comentários de notícias da imprensa, publicação de peças literárias (de minha autoria e de outros), palpites em quase tudo, sátiras e piadas, fotografias, indicação de sites e espaços da web, captação de comentários, etc.

Nome:
Local: Teresina, Piauí, Brazil

Jornalista, Publicitário, Editor e Escritor. No ramo desde 1979, a partir do extinto JORNAL DO PIAUÍ.

20 abril 2008

Entre a cidadania e a amizade

Teresina, pela dimensão da sua verdade, ainda nos permite conhecer as pessoas pelo sobrenome. Somos todos amigos, desde nossos antepassados, porque aqui, de certo, amizade se herda.

Com essa crônica gostaria de expressar minha solidariedade à Justiça e a um homem bom e decente, que é o Juiz de Direito Francisco de Assis Brito Braz e Silva, da 4ª Vara Cível, de quem não sou amigo, não diretamente, mas nossas mães o são.

A solidariedade à Justiça é pela maneira sumária como se dá o seu descrédito. Pela vontade unilateral de seus expoentes.

Não sei como é que a Agespisa ainda existe. Desconheço nesse estado uma instituição pública que ao longo da sua trajetória tenha sido tão roubada, tão saqueada, tão vergonhosamente utilizada pela classe política na satisfação financeira das suas conveniências, seja pelo desvio dos seus recursos, seja pela utilização dos seus serviços no benefício eleitoral. Nem o Detran, nem a Secretaria de Saúde.

Hoje moribunda, mas ainda um excelente canal de corrupção, vem a empresa de águas e nem tanto de esgotos de ser condenada a pagar R$ 6 milhões à Servaz. Não quero nem entrar no mérito dessa quizila. Mas quero falar do mérito da realidade. E a realidade diz que um Juiz determinou o bloqueio de recursos da empresa devedora para pagamento da credora. Estava dentro da própria Justiça a alternativa para evitar a sangria de tão expressivo dispêndio. Através de recursos, de contraposições, imagino eu. Mas não foi bem isso que aconteceu. Aconteceu de o presidente da Agespisa ir bater à porta do presidente do Tribunal de Justiça, pedindo a ele que derrubasse a decisão do juiz Francisco Braz.

Esses caras do PT têm essa mania. E essa mania tem dado certo. Outro dia aconteceu bem assim com aquela secretária que mandaram prender, por descumprimento de ordem judicial. E olha que questionaram tal ordem judicial das maneiras mais inusitadas que já vi. Como se sabe, ordem judicial não se discute; se cumpre.

Pois aí o desembargador Edvaldo Moura atendeu à Agespisa. Revogou a decisão do Dr. Braz.

Pelo amor de Deus. Até esse minuto ninguém atentou ainda para a simbologia dessa decisão. Doutor desembargador, o senhor desmoralizou com sua caneta a instância inferior do seu Tribunal. Ora se não. Ou o doutor Braz foi leviano e arbitrário, ou ele anda brincando de ser juiz. Como o conheço, sei que ele não é irresponsável, leviano, arbitrário, nem brinca em serviço. Muito ao contrário.

E para piorar, o presidente da Agespisa ainda saiu a divulgar na Imprensa que “diante dos interesses do coletivo, do público, que contra-põe os interesses escusos, o tribunal está optando em favor da sociedade”. Primeiro não foi o Tribunal quem decidiu. Foi seu presidente. Em segundo lugar, o presidente da Agespisa insinua que o Dr. Braz estava do lado de “interesses escusos” e contra a população.

Conheço também o Dr. Edvaldo Moura. Conheço-o lá dos tempos em que ele freqüentava nosso Jornal do Piauí, delegado de Polícia, se não me engano, todo começo de noite, conversando com o Macário, então subsecretário de Segurança, idos bons dos anos 70. Ou antes, bem antes, em situação que quase nos une familiarmente. Também o tenho na conta de uma pessoa de bem.

Não entro no mérito da questão, repito. Mas temo pelo futuro das coisas. Se a moda pega, como parece que pegou, sei não! Tenho para mim que um juiz vai pensar duas vezes antes de decidir. Porque, se for contra as evidências, e se posicionar a favor do errado, estará maculando a Justiça e as nascentes da sua função. Se for a favor das evidências, e se posicionar a favor do correto, poderá ter sua decisão anulada pela atitude solitária e unilateral do presidente do Poder Judiciário, que pensa e age acima das articulações jurídicas dos advogados, da letra da lei, da posição dos julgadores, dos juízes que apreciam os processos das suas alçadas.

Antes de qualquer simpatia resultante dos laços altos da afetividade, como pagador de impostos sou um dos que ajudam a manter o Estado. Por isso o quero digno.

Como no Legislativo isso é ilusão, e o Executivo é caso perdido, resta ao Judiciário, no mínimo, ser justo.

Entre a cidadania e a amizade

Teresina, pela dimensão da sua verdade, ainda nos permite conhecer as pessoas pelo sobrenome. Somos todos amigos, desde nossos antepassados, porque aqui, de certo, amizade se herda.

Com essa crônica gostaria de expressar minha solidariedade à Justiça e a um homem bom e decente, que é o Juiz de Direito Francisco de Assis Brito Braz e Silva, da 4ª Vara Cível, de quem não sou amigo, não diretamente, mas nossas mães o são.

A solidariedade à Justiça é pela maneira sumária como se dá o seu descrédito. Pela vontade unilateral de seus expoentes.

Não sei como é que a Agespisa ainda existe. Desconheço nesse estado uma instituição pública que ao longo da sua trajetória tenha sido tão roubada, tão saqueada, tão vergonhosamente utilizada pela classe política na satisfação financeira das suas conveniências, seja pelo desvio dos seus recursos, seja pela utilização dos seus serviços no benefício eleitoral. Nem o Detran, nem a Secretaria de Saúde.

Hoje moribunda, mas ainda um excelente canal de corrupção, vem a empresa de águas e nem tanto de esgotos de ser condenada a pagar R$ 6 milhões à Servaz. Não quero nem entrar no mérito dessa quizila. Mas quero falar do mérito da realidade. E a realidade diz que um Juiz determinou o bloqueio de recursos da empresa devedora para pagamento da credora. Estava dentro da própria Justiça a alternativa para evitar a sangria de tão expressivo dispêndio. Através de recursos, de contraposições, imagino eu. Mas não foi bem isso que aconteceu. Aconteceu de o presidente da Agespisa ir bater à porta do presidente do Tribunal de Justiça, pedindo a ele que derrubasse a decisão do juiz Francisco Braz.

Esses caras do PT têm essa mania. E essa mania tem dado certo. Outro dia aconteceu bem assim com aquela secretária que mandaram prender, por descumprimento de ordem judicial. E olha que questionaram tal ordem judicial das maneiras mais inusitadas que já vi. Como se sabe, ordem judicial não se discute; se cumpre.

Pois aí o desembargador Edvaldo Moura atendeu à Agespisa. Revogou a decisão do Dr. Braz.

Pelo amor de Deus. Até esse minuto ninguém atentou ainda para a simbologia dessa decisão. Doutor desembargador, o senhor desmoralizou com sua caneta a instância inferior do seu Tribunal. Ora se não. Ou o doutor Braz foi leviano e arbitrário, ou ele anda brincando de ser juiz. Como o conheço, sei que ele não é irresponsável, leviano, arbitrário, nem brinca em serviço. Muito ao contrário.

E para piorar, o presidente da Agespisa ainda saiu a divulgar na Imprensa que “diante dos interesses do coletivo, do público, que contra-põe os interesses escusos, o tribunal está optando em favor da sociedade”. Primeiro não foi o Tribunal quem decidiu. Foi seu presidente. Em segundo lugar, o presidente da Agespisa insinua que o Dr. Braz estava do lado de “interesses escusos” e contra a população.

Conheço também o Dr. Edvaldo Moura. Conheço-o lá dos tempos em que ele freqüentava nosso Jornal do Piauí, delegado de Polícia, se não me engano, todo começo de noite, conversando com o Macário, então subsecretário de Segurança, idos bons dos anos 70. Ou antes, bem antes, em situação que quase nos une familiarmente. Também o tenho na conta de uma pessoa de bem.

Não entro no mérito da questão, repito. Mas temo pelo futuro das coisas. Se a moda pega, como parece que pegou, sei não! Tenho para mim que um juiz vai pensar duas vezes antes de decidir. Porque, se for contra as evidências, e se posicionar a favor do errado, estará maculando a Justiça e as nascentes da sua função. Se for a favor das evidências, e se posicionar a favor do correto, poderá ter sua decisão anulada pela atitude solitária e unilateral do presidente do Poder Judiciário, que pensa e age acima das articulações jurídicas dos advogados, da letra da lei, da posição dos julgadores, dos juízes que apreciam os processos das suas alçadas.

Antes de qualquer simpatia resultante dos laços altos da afetividade, como pagador de impostos sou um dos que ajudam a manter o Estado. Por isso o quero digno.
Como no Legislativo isso é ilusão, e o Executivo é caso perdido, resta ao Judiciário, no mínimo, ser justo.

01 janeiro 2008

AS HORAS

Ah... aquela lágrima presa a maldizer uma saudade. Aquele suspiro escandaloso, e aquele olhar perdido, mirando paisagens vãs, cheias de nada, tendo ao fundo um céu azul sem nuvens, um sol poente, cansado do seu ciclo, da sua jornada.

Ah... aquela palavra presa, ancorada nas ilusões pranteadas de um tempo morto, e inesquecível. E o pensamento exausto de tanto andar, sem rumo, inconcluso. A respiração serena, aspirando as imagens lamentáveis que os olhos fechados permitem revelar.

Ah... saudade.



Os nomes das pessoas, as horas, os lugares, as impressões temporais, os percursos. E se mudam para o ostracismo também os textos, as imaginações, as cores, sabores, odores, valores. Os pensamentos debocham o tempo todo da realidade. E os tempos, também, se configuram na compreensão dos eventos. Passado, presente, futuro...

Cada dia é como um medo – passa.

Apelido de saudade tudo o que gostaria de viver outra vez. Tenho muitas saudades. E um futuro longo a degustar, inédito nas cores, sabores, odores, valores, calores... Espero.

Espero das horas a honestidade suprema. E, de fato, as horas são honestas.

Espero do acaso o inesperado, com suas surpresas natas, suas descobertas espantosas, sua irreversibilidade. Como sempre.

Aprendi na vida muitas palavras. Às vezes, elas fogem de mim. E de tudo o que digo, e queria dizer pelas letras dessas palavras esquecidas, parece perder o sentido, embora expresse a intenção desejada. Sou muito exato no que digo.

E no que sinto fraquejo. Por vezes escondo sentimentos em palavras difíceis. Delas desconhecidas, ou inventadas, quando me faço incompreendido. Sou esquisito.




A lágrima reclusa, que repele a tentação da saudade, reflete uma resistência obediente. Obediente ao presente, ao momento. Obediente à conveniência alheia. Obediência ao tempo das coisas. Obediente à ordem natural de tudo. E por ser saudade, significa a recordação do agradável.

O horizonte oculto que a saudade oferta aos saudosos, que nele vêem somente o que querem ver, não tem ciclo. Na escuridão da noite reluz um sol estressante, cruel, malvado. Nas manhãs alegres de sol a pino, nuvens festivas e céus azuis, enegrece as coisas como uma madrugada infeliz de chuva torrente.




Ah, saudade... me deixe viver.

21 dezembro 2007

MATURIDADE

Demorou um bom tempo, mas afinal chegou.

Naqueles tempos mais agitados, uma sexta-feira era uma festa sem hora para terminar. Porque outra sexta-feira levava muito tempo para se repetir. Vinha, com certeza, mas demorava pra caramba.

Batia boca com todo mundo. Desrespeitava o silêncio do inocente e também do pecador. Era dono de uma verdade que nem sabia mesmo se existia. Gostava da polêmica, mas só eu tinha a razão.

Mulheres? Queria a todas, e ao final, nenhuma. Eram passageiras. Todas passageiras. Interessantes, perdiam suas qualidades num improvável terceiro encontro. Eu não: era o must, era “o cara”.

Faltava dinheiro para uma ou outra atitude? Não era problema – a cara-de-pau conduzia a extensão da mão para os amigos, os conhecidos e, se duvidar, até para os inimigos. Tudo em nome do prazer.


Quando a glória dos 45 anos chegou, compreendi logo o que era, de fato, prazer. Como um sabor novo que se descobre na surpresa do acaso, absolutamente imprevisível, espantei-me com a primeira reação: quis preservar para a eternidade a sensação recente. Por que, meu Deus, querer perpetuar uma sensação?

O correr do tempo também ganhou uma textura nova. Cada minuto passou a ter uma importância singular. Não como o último, imaginável, mas como “o minuto”, aquele momento em que de olhos abertos, vivos, consciente, você olha para o céu azul, imenso, num dia lindo e ameno de sol quieto, e sente como se os olhos de Deus te olhassem, carinhosamente. Um dia saboroso, por certo.

E as pessoas, merecendo de você um respeito sem medida, real, como deve ser entre os seres humanos, entre os iguais, os que desejam para os outros tudo aquilo que desejam para si mesmos. Que bom. Que bom tocar as mãos das pessoas, olhando em seus olhos, de coração aberto. Que bom poder oferecer a elas de forma igual os benefícios que as melhores pessoas nos proporcionam. Que bom sentir a atenção dos outros, e a eles também oferecer idêntica atenção. Que bom poder facilitar o dia-a-dia de alguém, independente da relação fraternal que persegue os fatos.

Aprender com os outros, sem debates raivosos, sem trocar ofensas, agressividade. Reunir em torno da voz um raciocínio lógico, o afeto e a receptividade mágica que nos declara aprendizes dessa transição. Ouvir, ouvir bem mais do que falar. Pensar antes de dizer. E ao dizer, estar convicto de que as palavras terão alma e bom senso, de que produzirão efeitos, e efeitos positivos, proveitosos, evolutivos.

Os dias, esses passaram a ser todos iguais – não comuns, banais. Iguais em qualidade, em importância, em valor. Cada um com sua vantagem. De segunda a segunda, na mesma proporção dos sábados de contrição, de relaxamento, de renascimento. Ou dos domingos de sol e alegria, que declina para momentos de uma preguiça frágil nos seus fins de tarde. Ou das noites medianas de quarta-feira.

Ah, maturidade.

Essas conquistas saborosas sempre estiveram onde estão. Ao alcançá-las, entendemos afinal as razões alheias, dos homens tranqüilos, que degustam a vida de vagar, permanentemente, como se em constante estado de graça, numa paz santa, descomunal.

Ao alcançá-las, redirecionamos o sentido da vida, configurando o leme para o destino certo, para onde seguimos com a sensação de que cumprimos com nosso dever nessa vida, e afinal podemos sentar e apreciar o recomeço de outras jornadas, de outras vidas, que teimosamente, surdas, vão nervosas aos debates, batendo boca com todos por tudo, gastando as horas das sextas-feiras inúteis, consumindo pessoas e um dinheiro precioso que aqui e ali faz falta, mais na frente.

Mas, é preciso dizer, a vida é assim mesmo, cheia de círculos.

05 julho 2007

Daqui pra pior


Às vezes me pergunto qual seria a razão de meu povo devotar tanto apego a certas futilidades, delas tão imbecis que chego a pensar que é brincadeira, um disfarce que o pessoal utiliza para despistar o estudo de uns e outros sobre o comportamento da gente brasileira. Uma tentativa de enganar a sociologia.

Leio portais e sites de notícias a toda hora. Estão lá informações as mais diversas sobre fatos nacionais e do mundo. Notas sobre economia, sobre meio-ambiente, sobre guerra e paz. E também sobre Paris Hilton, uma desocupada riquíssima que à falta de coisa útil para fazer (isso é o que suspeito, já que não leio as “matérias” sobre tal criatura), promove escândalos para aparecer nos noticiários. E também sobre um tal de Alemão, de uma tal de Siri, ou Íris, como queiram, que, se não estou enganado, ganharam “fama” ao participarem de um programa (?) de tv, de nome Big Brother, que dum “brogue” só considero: um verdadeiro insulto à inteligência humana; mais um passo para trás para quem não tem cultura; e uma overdose da droga (in)cultural que ainda mata os viciados brasileiros em futilidade. Parecem opiniões redundantes?

Pois me pergunto mesmo, o que fez e faz esse Alemão (e a moça loura também) para ficar ocupando sistematicamente espaço nos jornais, revistas, sites, tvs e rádios? Não descobriu nenhum medicamento capaz de curar os males da nossa gente de saúde frágil. Não inventou nenhuma maneira digna de alimentar os famintos, com ou sem bolsa-família. Não roubou, não matou, não foi assaltado, não sofreu atentado, não testemunhou crime algum, não fez nada, nadica mesmo. Mas todo dia está lá a foto do sujeito, na página principal dos sites, todo santo dia. Sem nenhum motivo. Mesmo um motivo oco, sem sentido, infame.

Publicam, imagino, a foto do nada ambulante para atrair e porque dá audiência. Eita audiência terrível!!! Audiência de que, mesmo? É cantor? É ator? É bandido? É um intelectual brilhante, que diz coisas a la Quintana? É um 'engolidor de espadas'? É um trabalhador contando suas agruras pra escapar na vida com um salário de trezentos e poucos reais? É da turma do Lulla, “O Último a Saber”? É um tuchauzão do PT? É um espertalhão também da “base aliada”? É partidário de FHC, Heloisa Helena, Fernando Gabeira? É dono daquele morro que a Polícia diz que dominou, lá no Rio de Janeiro? É controlador de vôo? É deputado? É outro senador corrupto? É parente ou aderente do Mangabeira Unger, “O Imbecil”? É sócio da Globo? É assessor especial do Carlos Slim, o homem mais rico do mundo? É ligado a Hugo Chavez, “O Pau de Bosta”, ou ao Bush, “O Anticristo”? Afinal de contas, o que fez ou faz mesmo esse cara pra estar o tempo todo na mídia?

Respondo, eu mesmo: nadica de nada.

Mas o problema, concluo, não é ele, ou a mídia.

É nosso povo, que alguém já quis sábio.

Quem reelegeu Lulla presidente, de fato, engole qualquer coisa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

18 junho 2007

VAMOS INSTITUCIONALIZAR A CORRUPÇÃO?


A corrupção parece que vai nos vencer pelo cansaço.

Puts... como é constrangedor dialogar com interlocutores que confessam sem meias-palavras que já não suportam mais meu papo, repetitivo, sobre essa história de corrupção, do novo sentimento implantado no país pelo pessoal do PT e seus métodos massacrantes de tomar de conta do governo, e da falta de vergonha que triunfa no cenário político “deste país”.

Por mais que os crimes sejam renovados, reformulados, por mais que se denunciem ou descubram novas falcatruas de senadores, deputados, gestores públicos em geral, acham meus interlocutores que estou me repetindo.

Nas próximas eleições, porque não abriram o olho, os eleitores, independente de terem me ouvido “repetir” a ladainha da corrupção, vão votar nesses mesmos bandidos, e eles vão continuar lá, roubando nossas possibilidades, o futuro dos nossos filhos e netos, desmanchando os conceitos e sentidos da dignidade.

Essa bandidagem não tem limites.

Nos últimos anos, ouviu-se falar em sanguessugas, em aloprados, na máfia do ‘jogo do bicho’, em navalha, dos caça-níqueis, em caso Renan... No plano federal, sem esquecer a precedência do caso dos hemoderivados, que envolveu o ex-ministro da Saúde Humberto sei-lá-do-que, do mensalão, e do prodigioso filho do Lulla, que de penteador de macaco em zoológico, passou a fera da informática e do empreendedorismo, fazendo-se milionário numa velocidade impressionante.

Aqui pelo Piauí, tem as riquezas governamentais, que enriqueceram e fizeram magnatas um bocado de gente rapidinho. E não é de hoje.

Nessa semana que nem começou direito, vi-me chocado com matéria veiculada num site, o 180graus.com, inclusive ilustrada com o símile do depoimento de dois rapazes envolvidos num assalto ocorrido nos domínios do ex-deputado e ex-ministro João Henrique, que todo mundo conhece em Teresina pela alcunha de João Maguim, mas que num processo estúpido de enriquecimento acelerado anda gordo, que é uma beleza!

Pois bem. Vejam que situação intrigante.

Um dos meliantes presos diz categoricamente, em depoimento prestado diante de promotor de Justiça dos mais sérios desse Estado, que participou de assalto a uma empresa ligada a João Henrique, de onde foi levado um cofre, que continha cerca de um milhão de reais, partilhados entre cinco elementos. João Henrique nega a posse do dinheiro. Aliás, vem negando desde que começaram a noticiar o roubo, ocorrido no tempo da reeleição do atual governador, ano passado. Suspeita-se que o dinheiro seria usado para comprar votos, facilitando a reeleição.

Pois bem. O meliante preso deu parte do que lhe coube ao concunhado. Este, como todo pobre que se preza, cuidou logo de comprar um carro. E caiu na besteira de dizer ao dono da loja que o veículo deveria ficar guardado ali até que pudesse aparecer com o veículo em casa. Dias depois, o tal comerciante marcou encontro com o comprador, em local afastado. Lá, foi pressionado por dois policias civis, um deles parente do comerciante, que exigiam dinheiro do incauto elemento.

Meses depois, o concunhado foragido telefona ao incauto, pedindo que lhe apanhe no aeroporto. Na saída, são abordados por três policias civis, diferentes dos dois da vez anterior, que lhes rendem, colocam numa viatura civil, e passam a circular nas imediações da Polícia Federal, pressionando para que entreguem parte do dinheiro roubado do “deputado” João Henrique. Do estacionamento da sede da Polícia Federal os meliantes são levados até a delegacia do 1º Distrito Policial. Taca e pressão, taca e pressão, até que o concunhado foragido entrega aos “policiais” parte do dinheiro que ainda possuía.

Liberado, soube que cada um dos outros integrantes da quadrilha já havia sofrido pressão dos “policiais”, e a estes entregue bons trocados do montante apurado.

E João Henrique continua negando o assalto.
Parece filme americano, mas não é.

Vamos reparar bem na história.

Primeiro ponto interessante: o depoimento foi dado no início de maio, mês passado. Só agora foi dado ao conhecimento público. Só o Portal já citado publicou a notícia. Ninguém, nenhum órgão de comunicação repercutiu-a. Por que será, hein?

Embora eu saiba que nossa imprensa tem essa infame mania, de não repercutir o furo dos outros veículos, numa tentativa ou de desacreditá-lo, ou desvalorizá-lo, o que dá no mesmo, lamento que fato de tamanha gravidade sucumba à falta de profissionalismo.


Segundo ponto interessante: o dinheiro existe, saiu da posse do “deputado”, que não pode dizer que era seu, ou dos seus companheiros políticos, porque senão...

Bem, um milhão de reais é uma senhora bolada. Como seu dono explicaria a origem, os motivos de tanto dinheiro em espécie, e mais ainda num momento eleitoral. Se bem que a gente lembra do vereador Ferreira, na campanha de 2003, onde seus cabos eleitorais e parentes andavam com uns trocados para aliciar eleitores, e a Justiça o absolveu – não cassou seu mandato. Isso é besteira, né não?


Terceiro ponto interessante: os ladrões roubaram o cofre, com o milhão do “deputado”. As evidências existem, facinhas de serem reunidas como prova.

Um dos meliantes, que está preso, disse aos comparsas que não poderia aparecer na cena do roubo, porque poderia ser reconhecido, já que trabalhava para o “deputado”, e que sabia do local onde estava o dinheiro porque participou da transferência do cofre - do escritório político do “deputado” para o local do assalto.


Quarto ponto interessante: os policiais formaram uma curiosa rede de extorsão, agindo ao arrepio da lei, valendo-se do privilégio das informações institucionais, e de certa maneira participaram do roubo ao cofre do “deputado”.

Os ladrões extorquidos dizem-se capazes de reconhecer os “policiais”.

É de se esperar que esse caso não fique amarrado ao dito popular, de que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Nesse caso particular, perdão multiplicado por três, porque foi ladrão roubando ladrão, que foram roubados por outros ladrões.

Haja perdão!

07 junho 2007

A LÁGRIMA DO DIA

E ali, a cidade que a gente ama, que quer como nossa sendo de todos.

Um ponto certo de visitação – a praça da minha infância, por onde meu filho corre desajeitado, perto dos meus olhos tontos de saudade e apavorados com tantas lembranças, a provocar o susto pelos anos que correram acelerados, tingindo de alvo meus cabelos negros, entristecendo meu olhar, as dobras de uma pele turva de sofrer ao sol, eterno sol abrasador de Teresina.

Para amanhã algo mais que a tentativa de tocar as nuvens, dentro dos prédios íngremes que escondem das provações as famílias mais íntegras. Arquitetura sofisticada que desperta no malfeitor seu êxtase mais acurado, quando observa os que tanto têm, e mostram que têm, sem qualquer mea culpa, aos que só têm, se têm, a vida. Afinal, o sentido das suas vidas – aparências e desejos.

E as vilas escondem de tudo. Do mendigo que se alimenta, ainda, de caridade, de esmolas miseráveis atiradas nas vasilhas descartáveis de doces e tais, mas de tanta valia... ao virador que se espreme nos ônibus lotados, nos selins de bicicletas desventurosas, ou no passo reto pelos caminhos benditos, com destino à tentativa de ser gente. Entre ambos, o que destrói as impressões mais vivas de felicidade, quando furta o fruto caro do labor alheio, ou escurece o futuro iluminado da juventude na negociação abjeta dos alucinógenos. É assim que apodrece uma sociedade!

Quando a cidade dorme, chega o frio. Vem tarde, em todos os sentidos. Ainda assim, quando amanhece o dia, uma frescura estimulante quer nos impedir de viver. Desconvida o estudante bom a cascavilhar nos livros a noção maior da grandeza. O homem decente a reforçar seu padrão clássico de probidade, nas horas latentes de ocupação. A mulher ao vício eterno de amparar os seus. Mas, tudo por pouco tempo, porque o sol reintegra a realidade ao conceito de cada um, e é aí que a cidade se obriga a acordar, e fazer-se normal.

Em todas as horas, em todos os seus estágios, a cidade exibe entristecida ou indiferente, suas chagas medonhas. Bêbados são tão notórios, tão presentes nessa paisagem triste. É por isso que a gente entende que a cidade cresceu. Não tem lugar para todos, e se tem, demooooora... À falta de paciência, a desesperança. E com ela o quadro negro que expõe, pela luz que é a essência da vida, a quem quiser observar, o desperdício da condição humana que escoa, como um lixo urbano inorgânico, pelos esgotos da indignidade.

Oh, que pena!

Como é constrangedor admitir que homens iguais a mim, fortes como eu, com seus desejos, seus anseios e ambições, seus sonhos e objetivos, se deixam suplantar pela força impetuosa dos vícios perversos – álcool, drogas, loucura, desencanto.

Eu, humano, desejo dizer que hoje não suportei a visão: verti uma lágrima. Não a lágrima copiosa, que nos fragiliza na compleição física que o mundo quer seco, indiferente. Mas no fundo da alma, no íntimo, lá naquele cantinho escuro onde a gente guarda a mais sagrada das nossas verdades.

E dessa lágrima, ainda não sei dizer se se evadiu com vergonha de mim, supostamente impotente, ou do mundo, sinceramente inclemente.

Que pena!

01 junho 2007

“modus esperniandi”


CONSIDERAÇÕES SOBRE UM PROJETO NÃO APROVADO PELO
CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA, ATRAVÉS DA LEI A. TITO FILHO

Paulo Chaves


Pela segunda vez na minha curta vida de produtor cultural participo de processo seletivo para merecer patrocínio. E, confesso, foi a última. Em ambos não obtive êxito.

O primeiro foi o do BNB. Eram R$ 2 milhões para o Nordeste, parte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Foi, contudo, uma lição.

O segundo, a Lei A. Tito Filho. Participei com três projetos. Nenhum aprovado.

O primeiro tencionava homenagear as mulheres da Academia Piauiense de Letras, no tempo dos seus 90 anos de fundação, que se há de comemorar logo mais, em dezembro de 2007. Queria distribuir uma espécie de folder com o teor de suas produções - amostras do que escreveram, para que nossa gente conhecesse um pouco de Alvina Gameiro, Amélia Beviláqua, Isabel Vilhena, Nerina, Lili e Lilizinha Castelo Branco, e Fides Angélica Omatti. Não deu.

O segundo, a complementação de um livro escrito em 1986, pelo professor Arimatéia Tito Filho, encomendado pelo então prefeito Wall Ferraz, sobre as pessoas que dão nome às ruas de Teresina. A proposta era, mesmo, a atualização, porque quando foi editado o estudo de Arimatéia, Teresina possuía 1.100 ruas. Hoje são quase 1.900. Também não deu.

Fiquei constrangido, no entanto, com a desclassificação do terceiro. Penso eu que o Conselho Municipal de Cultura poderia ter feito de tudo, menos deixar de fora, dentre os que serão patrocinados, um projeto como esse.

Pensei em reeditar obras do professor Arimatéia Tito Filho. Só isso.

O primeiro passo foi buscar o consentimento de sua viúva, Dona Delci, detentora dos direitos autorais, que com sua grandeza natural concedeu-me a autorização, por escrito. O passo seguinte foi a elaboração do projeto. Queria algo indefectível, que contemplasse a obra do professor de forma decisiva. Dei ao projeto o nome de “A. Tito Filho – O Imortal”. Não foi aprovado.

Arimatéia passou 21 anos na presidência da Academia Piauiense de Letras. O maior de todos os prazos presidenciais. Mais que Higino Cunha, com 19 anos, e Simplício Mendes, com 12, que por sinal antecedeu Tito Filho. Livros foram quase quarenta. E, mais importante, a Lei de incentivo cultural da Prefeitura de Teresina leva seu nome. Portanto, penso que o Conselho Municipal de Cultura deu uma grande bola fora. Destratou seu patrono.

A avaliação dos projetos que pleiteiam o valoroso patrocínio da Lei 2.194, de 24 de março de 1993, da Prefeitura de Teresina, observa como critérios a relevância social e cultural do projeto; sua clareza, coerência e alcance dos objetivos; coerência com os objetivos e viabilidade das estratégias de ação; a compatibilidade do orçamento com o conjunto das estratégias; e a adequação do cronograma ao conjunto do projeto.

Antes de falar desses critérios, por sinal justíssimos, deixa eu falar como cheguei à idéia do “A. Tito Filho, O Imortal”.

Um: Conheci-o de perto, pois era colaborador do nosso extinto Jornal do Piauí, onde entrei em 1979. Tive, pois, esse honroso privilégio. Dele li quase tudo. Tenho-o na conta de um gigante cultural. Quem, lendo-o, não terá?

Dois: Desde maio/2004, freqüento a Biblioteca Abdias Neves. Certo dia, pedi ao Antônio, dedicado funcionário da casa, que sabe perfeitamente onde está cada título ali catalogado, que reunisse as obras disponíveis do professor, pois pensava em fotocopiá-las, em razão da dificuldade em conseguir os exemplares, para recompor meu acervo pessoal – da Biblioteca só pode ser retirado um exemplar de cada vez. Uma semana depois, o Antônio me disse que “tava difícil” reunir os livros. Perguntei a razão, já imaginando tratar-se da rotatividade, sendo o autor o mais lido e procurado de todos. Qual nada: “Hum... Esse é o menos procurado”, me informou o funcionário.

Três: É difícil acreditar que todos aqueles textos maravilhosos não encontram nos olhos e consciências da nossa gente a menor atenção. Ainda tenho para mim que Arimatéia não é lido porque não é conhecido. Ele e tantos outros autores de qualidade que temos. Daí imaginei o projeto, ora refugado pelo Conselho Municipal de Cultura.

Aliás, a justificativa do projeto, se me permitem a reprodução, diz o seguinte, na introdução:

“O que é, afinal, a imortalidade proposta pelas academias de letras implantadas país afora, senão o veio de preservação das manifestações culturais dos seus integrantes?

No Piauí, onde tudo é relativamente mais difícil de se fazer do que em qualquer outra parte do mundo, é lógico que esta tese adormece e se exaure sem efeitos. Aqui os imortais morrem, mesmo. Obras da mais elevada qualidade prestam-se ao sustento das traças e dos esquecimentos inesitantes. Há um flagrante desrespeito à memória, às coisas do ontem, ainda que o ontem haja se deitado na noite anterior. Parece um mal sem cura, uma condenação imposta às gerações que se renovam”.




Pelos critérios de avaliação da Lei A. Tito Filho, a relevância social e cultural do projeto vem em primeiro lugar.

Creio que a reedição de obras é um evento relevante, e sozinha sublinha a importância do autor – não fosse bom, não seria reeditado. Taí a reedição das obras de Padre Chaves e de Odilon Nunes, efetivadas pela Fundação Cultural Mons. Chaves. O que meu projeto faria, a mais de reeditar Arimateía, era colocá-lo em CR-Rom, que acompanharia o livro, para que ficasse mais fácil copiar, imprimir, anexar em e-mail, apresentar em datashow, estudá-lo, enfim. E mais: seriam apresentadas palestras em escolas públicas e particulares, pela voz de acadêmicos e estudiosos, ao longo do tempo, a qualquer tempo. Isso foi dito, bem dito, no corpo do projeto.

Parece que o Conselho não viu relevância social e cultural nisso.

O outro critério está relacionado à clareza, coerência e alcance dos objetivos. Penso eu que o grande objetivo é dar acesso amplo, especialmente à classe estudantil, nossa maior esperança por um país menos deprimente. Isso também está bem claro no corpo do projeto. Sua coerência e o alcance dos seus objetivos bem aqui, na leitura dessas palavras, todo leitor percebe. Parece que o Conselho não percebeu.

A seguir, querem que o projeto apresente coerência dos objetivos com a viabilidade das estratégias de ação. Será que livro impresso disponível na biblioteca das escolas, cd-rom que possibilita a impressão de textos para estudos em sala de aula, e também utilizável no datashow durante palestras para estudantes, não representam coerência com a intenção de aproximar um autor respeitado de um público futuro? E será que está não é uma grande estratégia de ação?

Pelo visto, o Conselho pensou diferente.

Na verdade, penso que o grande nó do meu projeto está no caso da compatibilidade do orçamento com o conjunto das estratégias. Porque custo acreditar que seu cronograma esteja inadequado ao conjunto do projeto, conforme reza o requisito final.

No caso da compatibilidade do orçamento com as estratégias, fico me perguntando se o Conselho Municipal de Cultura tem noção de quanto custa a aquisição e produção de 1.000 cd’s-rom. E de 1.000 livros, divididos em dois volumes, cada qual com cerca de 600/700 páginas, com capa dura. E de um mínimo de 50 palestras em escolas, pagando gratificação aos palestrantes. E o trabalho de produzir, de criar, de fazer tudo isso de uma maneira visualmente empolgante, envolvente.

Ao justificar a exclusão de alguns trabalhos, o Conselho diz que alguns estavam sub ou superfaturados. Não sei dizer o que consideraram do meu, orçado em R$ 50,2 mil, sendo R$ 45,2 mil da lei A. Tito Filho, e R$ 5 mil de outras fontes. Por sinal, próprias. O mais caro de tudo era a produção das mídias – cd e impressos, que ficam em R$ 36,5 mil.

Se Dona Delci me autorizar, vou recorrer a outras fontes para financiar o projeto. Que é excelente.

Devo, também, esclarecer, que trago a público esse comentário para que um pecado tão terrível como o que acaba de ser cometido pelo Conselho Municipal de Cultura não fique circunscrito à saleta daquele anexo da Fundação Mons. Chaves, e aos seus doze briosos conselheiros.

Talvez a noção de valor e investimento cultural, nas portas que pretendo bater, seja mais razoável.

No mais, é desejar sucesso aos que serão contemplados com esse valioso instrumento de apoio cultural que é a Lei A. Tito Filho, cujo nome não poderia ser mais adequado, embora internamente, ao que parece, pouco assimilado.




Só para concluir, pois gosto de lembrar essa história: Quando foi secretário de Cultura, no primeiro Governo Alberto Silva, pelo prazo curto de sete meses, o professor Arimatéia Tito Filho autorizou a publicação de 45 livros. Nenhum era dele.